quinta-feira, 13 de maio de 2010

"Se o futebol fosse só paixão nunca deixaria o Benfica"

O defesa-central brasileiro recorda, poucos dias após a conquista do título, e em exclusivo a A BOLA, os momentos mágicos vividos durante a época e após o apito final de Jorge Sousa. Lembra a promessa cumprida aos adeptos quando disse que não sairia da Luz sem ser campeão e sublinha que foi a realização do sonho de menino.


— Poucos dias depois da grande festa da conquista do título de campeão nacional e já mais a frio, qual a imagem que lhe ficou na cabeça?
— Não é apenas uma imagem, na cabeça ficaram muitas imagens. Foi uma grande festa, a realização de um sonho de menino, a realização de um sonho que tinha quando cheguei ao Aeroporto de Lisboa pela primeira vez, ser campeão pelo Benfica. A comemoração dos adeptos... ninguém esquece uma coisa dessas. Uma pessoa sai à rua e continuam a falar das comemorações, do jogo, do campeonato... Tudo isso é gratificante, estou muito feliz por estar vivendo tudo isso no Benfica.

— Em entrevista a A BOLA, no final de 2009, tinha prometido aos adeptos que não deixaria o Benfica sem ser campeão. Está mais aliviado por ter cumprido a promessa?
— Foi um grande alívio, mas também pela realização do sonho, não apenas pela promessa. Sabia que queria dar esse presente aos adeptos, porque eles mereceram-no quando vi esse estádio lotado e vibrando com os golos. Queria que eles vibrassem também com o título, era isso que eu tinha na cabeça e estou muito feliz por ter participado e contribuído para que isso pudesse finalmente acontecer.

Adeptos 'dispensam' prelecção de Jesus

— Aquela chegada ao Estádio da Luz, antes do jogo com o Rio Ave, com milhares de adeptos a incentivar a equipa, arrepiou os jogadores? Cardozo até filmava... Foi preciso Jorge Jesus dizer mais alguma coisa para motivá-los ou aquela recepção bastou?
— Durante a época vimos tantas coisas assim por parte dos nossos adeptos... Não era preciso dizerem-nos mais nada. Já sabíamos o que tínhamos de fazer dentro de campo. Deu para ver o Cardozo a filmar, mas eu também ia a filmar, só que os espelhos do autocarro são um bocado escuros e as pessoas não viram. Mas aquela recepção foi a prelecção que Jorge Jesus já não precisava de fazer. Isso é o Benfica, os adeptos do Benfica, a paixão do Benfica. Fico lisonjeado por fazer parte de um grupo desses, lisonjeado por estar num clube tão grande e ter todo esse carinho dos adeptos.

Especial, especial... foi o último apito


— Já elegeu o momento mais especial de toda a temporada?
— O momento mais especial foi o minuto em que o juiz apitou e terminou o jogo com o Rio Ave. Já estávamos há tempo tocando a bola e ele não acabava com o jogo... Foi aí que tive realmente a noção de que tinha sido campeão nacional e ajoelhei-me para agradecer a Deus por tudo isso.

«Houve jogadores melhores»
O defesa-central brasileiro do Benfica, David Luiz, conseguiu, aos 23 anos, e após praticamente três anos e meio de clube (chegou em Janeiro de 2007, no mercado de Inverno, quando os encarnados eram dirigidos por Fernando Santos), conquistar definitivamente os adeptos benfiquistas, rendidos à sua qualidade, mas também ao carisma que patenteia em cada acção.

Para coroar a excelente temporada que rubricou ao serviço dos encarnados recebeu o título de campeão nacional, mas também o título de melhor jogador do nosso campeonato, distinção essa atribuída pelos leitores de A BOLA, que votaram maioritariamente nele em sondagem realizada pelo site oficial do nosso jornal.

Obviamente, gostou: «Estou extremamente feliz e quero agradecer a todos pelos votos, pelo reconhecimento. Mas sei que houve muitos jogadores ao mesmo nível, até mesmo melhor, e não conseguiria nada sem os meus companheiros, sem o Benfica. Quero agradecer e fico muito feliz por esse título.»

David Luiz: «Por amor, paixão e coração nunca deixaria o Benfica»
Com a mesma frontalidade que coloca em cada lance, este jovem brasileiro de 23 anos assumiu as questões relacionadas com a sua situação profissional. Muitos duvidam que o Benfica consiga segurá-lo, dada a força do dinheiro, mas David garante que está sob contrato e que o seu futuro está nas mãos do presidente. Mas se fosse o coração a falar... jamais partiria.

— O que é que um jogador sente quando vê diariamente na Imprensa nacional e internacional o seu nome associado aos mais ricos e poderosos clubes do Mundo?
— Cada um tem a sua forma de reagir, a minha é com os pés bem assentes no chão, com a consciência de que tudo isso acontece como forma de reconhecimento do meu trabalho. E também pela qualidade que o grupo demonstrou durante o ano. Se não tivéssemos feito uma grande época essas coisas não existiriam. Só tenho de estar feliz pelo reconhecimento, mas ciente de que tudo o que acontecer no futuro estará de acordo com a vontade de Deus, com a vontade do clube. Se for bom para o clube, se for bom para toda a gente do Benfica, será com certeza bom para mim também. Só tenho de estar feliz com tudo isso.

— Por que razão disse, em pleno relvado, logo após o final do jogo com o Rio Ave, que ficaria no Benfica?
— Porque a única coisa que eu sei é que tenho contrato com o Benfica até 2015. E não sei mais nada.

— Mas admite que isso pode criar uma falsa expectativa nas pessoas?
— Não... acho que as pessoas sabem tudo aquilo que está acontecendo e pode vir a acontecer. Lembro-me do momento em que prometi a todos que ia lutar pelo título e por ver Portugal pintado de vermelho, foi por isso que realmente lutei. E sabia que era isso que eu queria para o futuro, mas agora o futuro não pertence a mim, pertence a Deus, pertence ao presidente do Benfica, ele sabe o que é melhor para mim. Já tivemos inúmeras conversas e sempre me orientou e tranquilizou em relação a muitas coisas.Ajudou-me a perceber coisas que eu não sabia compreender. Sabendo que tudo aquilo que poderá ser meu irá acontecer naturalmente. As pessoas sabem lidar com isso e sabem o amor que eu tenho pelo Benfica. Sabem que estou dentro de campo para lutar por elas.

— De uma forma pragmática pode afirmar-se que só o dinheiro pode tirar David Luiz do Benfica?
— Sem dúvida alguma. Embora não seja dessa forma que eu quero que as pessoas entendam isso. Não quero que as pessoas pensem que só vejo o dinheiro.

— Não quer que as pessoas pensem que se trata de querer ganhar dinheiro a todo o custo e sem olhar a meios, é isso?
— É isso mesmo, o sentido é outro, é o sentido de pensar também no futuro, de ter uma família, de poder ajudar os meus filhos, para poder manter uma família e manter um projecto social que estou iniciando no Brasil. Tem a ver com todas essas coisas. Daí que essa situação possa ser verdadeira. Se o futebol fosse só amor, paixão e coração claro que nunca deixaria o Benfica.

— Passa-lhe pela cabeça que, se não sair do clube esta época, algo que os adeptos admitem, pode tornar-se um jogador lendário do Benfica, à semelhança de nomes como Ricardo Gomes ou Mozer?
— Temos de trabalhar sempre pensando em coisas boas e isso é uma coisa boa que pode acontecer, independentemente de entrar ou não na mística. O título já passou, as boas exibições do Benfica já passaram também, e temos de começar a pensar na próxima época, pensar em continuar da mesma forma, melhorar e crescer cada vez mais. Ficando no Benfica, claro que vou querer continuar a representar o clube com bom futebol e com o amor que tenho pelos adeptos. Tudo isso vai girar em torno das minhas exibições e capacidades.

— Vai ter pena se sair do clube?
— Sim, é normal, se tiver de acontecer vou sempre ter pena de sair de uma casa que me acolheu da melhor maneira possível desde o primeiro dia, de um clube que aprendi a amar e a viver intensamente, não só nos jogos, mas também fora deles.

— Fala com emoção...
— Sem dúvida, fico emocionado em falar do Benfica, toca-me muito. Cheguei aqui miúdo, tive de amadurecer em muitos aspectos.

«Coloca essa música, Di María!»
Os jogadores do Benfica nunca esconderam, ao longo de toda a temporada, que a união do grupo, a força do balneário e o companheirismo reinante entre todos os elementos do plantel foi um dos aspectos mais determinantes para tão agradável desempenho. E David Luiz reiterou tudo isso, explicando, inclusivamente, que pormenores como uma simples música foram capazes de tornar-se fonte de inspiração e sucesso para a equipa. Como aquela que Di María tinha sempre a tocar no seu iPod a seguir a cada triunfo: « É... Para comemorar. Antes e depois dos jogos. O objectivo era deixar-nos mais alegres, mais descontraídos e tirar um pouco da ansiedade dos jogos. E, claro, para festejar. Até o mister pedia a música. Cantávamos essa faixa do Di María, uma música argentina... Dizíamos sempre, coloca essa música, por amor de Deus! Acabou sendo uma música do título, que ouvíamos em todos os jogos.»

— Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira já prometeram um Benfica mais forte na próxima época, capaz de atacar a Champions. É possível?
— É o pensamento mais correcto, é aquilo em que os grandes jogadores e as grandes equipas têm de pensar. Foi dessa forma que começámos a pensar no início da época, lembro-me perfeitamente de uma das primeiras frases do mister Jesus e do nosso presidente para os jogadores: é preciso ter ambição, mas também trabalhar para que isso aconteça. Dizemos que queremos um Benfica mais forte para a próxima época, um Benfica forte no campeonato, na Liga dos Campeões e em todas outras competições em que vai participar, mas sabemos que vamos ter de trabalhar o dobro para fazer o mesmo que este ano.

Rúben Amorim amigo para a vida

— Tem grande cumplicidade com Rúben Amorim.
— É um amigo que tenho no coração para a vida toda, pois temos a mesma forma de pensar na vida e mesmo as famílias se dão bem. A mãe dele, o irmão, pessoas muito humildes e acolhedoras, um amor que se vê que está sempre no ar. A coisa que mais prezo na vida é isso, toda a gente devia ser assim. O título e o golo mais bonito da vida é amar os nossos pais. Só temos um pai e uma mãe.

«A careca de Luisão e o cabelinho de Di María»
O cabelo é uma das imagens de marca de David Luiz. Continuará a crescer, questionámos. «Foi uma coisa que aconteceu naturalmente, não tinha pensado nisso para ter uma imagem. Foi acontecendo e fico feliz por ver as pessoas com perucas, imitado até pelas crianças.»A verdade é que acabou por contribuir para a cumplicidade com os benfiquistas, se bem que haja outras cabeças que dão que falar no plantel: «Se tivesse cabelo curtinho e estivesse fazendo um bom trabalho acho que as pessoas também iam gostar. Mas é uma coisa legal. Assim como a careca do Luisão ou o cabelinho do Di María... As pessoas formam um perfil de cada jogador e na rua, com as crianças, é muito legal. Recebi cartas de miúdos mandando fotos dizendo que tinham cabelo à David Luiz e de garotas dizendo que David Luiz era uma menina por causa do cabelo.»

Video: http://www.miragens.abola.pt/videosdetalhe.aspx?id=9151

Fonte: A Bola

3 comentários:

Anónimo disse...

este blogue está lindíssimo,parabéns!jéssica

Ana Catarina Pires, Porto disse...

O David Luiz é sem dúvida o jogador mais humilde e mais incrivel que eu ja vi em todos estes anos de futebol!
Parabéns David Continua com essa tua Linda humildade e com esse teu amor pelo Clube!
Es extraordinário!
Adoro-te Ídolo , es vida <3


Beijinhos para todos , especialmente para o David.


O blog esta cada vez mais lindo Micaela , Parabéns.

clo.reis disse...

Parabéns a quem fez este blog, esta muitoi interessante, e realmente ele é o melhor do Mundo para os portugueses benfiquistas, melhor que o cristiano Ronaldo.